2.2.11










"Comecei a escrever uma noite de Primavera. Uma incrível noite de vento leste e Junho. Nela o fervor do universo transbordava e eu não o podia reter, cercar, conter - nem me podia desfazer em noite, fundir-me na noite.
No gume da perfeição, no imenso halo de líquida luz azul e transparente, no rouco da treva, na quase palavra de murmúrio da brisa entre as folhas, no íman da lua, no insondável perfume das rosas havia algo de pungente, algo de alarme.
Como sempre a noite de vento leste misturava extasi e pânico.
Era na pré-história da minha juventude - o que escrevi era balbuciante, imerso em kaos - quis regressar à tona de mim própria - mas só pude regressar à tona das palavras. E toquei a larga linha de água."

Sophia de M. B. Andresen - Texto dos anos 80


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