10.6.11

"- A estabilidade - disse o Administrador -, a estabilidade. Não há civilização sem estabilidade social. Não há estabilidade social sem estabilidade individual.
A sua voz era uma trombeta. Ouvindo-a, eles sentiam-se maiores, mais reconfortados.
- A máquina gira, gira e deve continuar a girar eternamente. Se ela pára, é a morte. Eram um bilião a esgravatar a terra. As engrenagens começaram a girar. Ao fim de cento e cinquenta anos eram dois biliões. Pararam todas as engrenagens. Ao fim de cento e cinquenta semanas apenas eram, novamente, um bilião: mil milhares de milhares de homens e mulheres tinham morrido de fome. É preciso que as engrenagens girem regularmente, mas elas não podem girar sem serem convenientemente cuidadas. É necessário que haja homens para tratar delas, tão eficazes como as próprias engrenagens nos seus eixos, homens sãos de espírito, estáveis na sua satisfação. Gritando: «Meu filho, minha mãe, meu verdadeiro, meu único amor», gemendo: «Meu pecado, meu Deus terrível», uivando de dor, delirando de febre, temendo a velhice e a pobreza, como podem eles cuidar das engrenagens? E, se não podem cuidar das engrenagens... seria difícil enterrar ou queimar os cadáveres de mil milhares de milhares de homens e mulheres."

Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley (Edição «Livros do Brasil», 1932)

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