O PORVIR
Quando os máa,
Quando os máa,
Os marasmos,
As maldições,
Quando os máaáaáaáas,
Os maáaámabarus,
Os maáaámalsanoáas,
Os matratrimatratriáas,
os ondrecurticurtiçoeiros,
os oncucarachoncus,
os ondanoplopléxicos de puru pará puru,
os imoncéfalos glossos,
os pesos, as pestes, as putrefacções,
as necroses, as carnificinas, os sorvedouros,
os viscosos, os extintos, os infectos,
quando o mel feito pedregoso,
os judeus aflitos resgatando precipitadamente Cristo,
A Acrópole, as casernas convertidas em couves,
Os olhares em morcegos, ou então em arame farpado, em caixas de pregos,
Novas mãos em contracorrente,
Outras vértebras feitas de moinhos de vento,
A seiva do prazer mudando-se em queimadura,
As carícias em ruínas lancinantes, os órgãos do corpo mais ligados em duelos de arpão
O grão de areia de festa fulva transformando-se em chumbo sobre todos os veraneantes,
As línguas mornas, passeantes apaixonadas, mudando-se ora em punhais, ora em duros seixos,
O rumor subtil dos rios que correm tornando-se florestas de papagaios e de martelos-pilões,
Quando o Insuportável-Implacável finalmente evacuando-se,
Assentar as suas mil nádegas infectas sobre este Mundo fechado, centrado, e como que pendurado por um prego,
Rodando, rodando sobre si próprio sem nunca conseguir escapar,
Quando o Sofrimento, última ramificação do Ser, aguilhão atroz, sobreviver só, adelgaçando-se,
Mais e mais agudo e intolerável... e o obstinado Nada circundando em redor que recua como o pânico...
Oh! Desgraça! Desgraça!
Oh! Última lembrança, vida ínfima de cada homem, vida ínfima de cada animal, vidas ínfimas punctiformes!
Nunca mais.
Oh! Vazio!
Oh! Espaço! Espaço não estratificado... Oh! Espaço, Espaço!
Henri Michaux, Antologia (Relógio D'Água, 1999)
