23.1.15

Apresentação

O eu poético, aprendi na escola, não sou realmente eu.
Um descanso - aqui entre nós - sabermos que
eu a morrer debaixo do sol e eles sentados, não era
António Franco Alexandre que morria. E quando
Herberto Helder nos diz olha: eu queria saber em que parte
se morre, para ter uma flor e com ela atravessar
vozes leves e ardentes e crimes sem roupa, não é ele
que quer atravessar as vozes leves. Também eu me
recuso a dizer apenas o que pode ser dito não foi,
afinal, dito por Tolentino Mendonça e eu esqueci-me 
de lavar a louça e de encontrar um sentido para a vida, não é
lamento de Manuel de Freitas. A poesia, toda ela,
é uma criatura sem criador que lhe chame sua.
_______________ Foi
inventada por um duende qualquer.

Pedro Santo Tirso, Gin, Whisky e Outros Espíritos
(Do Lado Esquerdo, 2014)


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