(Por Helena Bento)
Caminhávamos, compassadamente, um pouco a medo.
Passo ante passo… Silenciosos, sorrateiros, expectantes.
Escutámos a melodia do sino da Igreja…
O espectáculo estava a começar.
Corpos disformes a fervilharem álcool.
Ecos imperceptíveis do que foram vozes eufóricas.
Sombras de movimentos agitados e epilépticos
Chamas vivas e chamas mortas…
Jorros ininterruptos de matérias líquidas que ora assumiam uma tonalidade encarnada, ora se exibiam com um verde-amarelado ou um azul-cobalto.
Vultos ameaçadoramente espectrais, aguardando, sedentos e famintos, que o charro estivesse feito.
Odores emanados…
Animalescos, intensos, caloríferos, de corpos que se fundiam e confundiam, de carícias orgásticas e palavras intencionalmente perversas e prometedoras, antecipando o canibalismo sexual que viria depois.
Já me sinto fugir.
Vens comigo?
