26.10.08

Encontrado ao canto do baú.

(Por Helena Bento)


Quem lança, semeia, humedece e colhe?
Que ser é esse que cria e destrói?
Quem abalroa, desvia, procura e evita?
Que ser é esse que dá e tira?
Quem abençoa, amaldiçoa, consente e opõe?
Que ser é esse fecunda e assassina?
Há aí alguém que possa responder?

De quem é a sombra que escurece o corpo e corrompe a alma?
Que absorve a sanidade e cospe as vísceras?
Olhei para o incerto
O fim tinha desaparecido
Senti as minhas mãos enregelarem
Olhei-as e li a Morte
Tenho medo...

Demasiado barulho
Demasiados sons para escutar
Atordoante
A melodia repete-se
Qual devo eu ouvir?
Há aí alguém que possa responder?

Passo um, passo dois, passo três
(Vertigem)
Viro-me e dou de caras com Ela
(Já lhe disse que a odeio?)
Merda, vou fugir!
Afinal, não foi o que eu sempre fiz?
Não foi o que sempre fizemos?
Marionetas desprezíveis
Rasguem os vossos panos,
Queimem a vossa madeira,
Rompam com os vossos fios.
Basta de controlo!
Será assim tão difícil viver só?

Não faz sentido.
Todos sabem que não faz sentido.
Por que não admiti-lo?
Admitam.
É só mais um passo para a loucura.
Chartreux’s domesticados
Exibam o vigor físico
Mantenham a calma e a tranquilidade
E com todos os sentidos em alerta
Ataquem, sem réstia de dó ou piedade,
Os vossos ratos de esgoto

Merda, não consigo resistir.
Enclausurei-me
Não sei se encare se fuja
Se dure ou me mate
Por que troças de mim vida zombeteira?
Ganhaste.
Estive perto de te iludir, de te enganar
Pensei que pudesse escapar
Não. Afinal não.
Ludibriaste-me, tal como fazes com Todos
Parabéns.


Mais feliz agora?
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