
(Por Helena Bento)
Contaram-lhe a história.
De quedas abruptas em valas de fundos sem fundo.De deslizes arquitectados do alto de colos traiçoeiros.De açoites violentos e embates à sucessão do badalo.
Contaram-lhe a história dA dor que não escapa com um sopro de uma força de uma alma.Contaram-lhe depois de lhe terem contado que o que haviam contado poderia não passar disso, de uma história contada.
Contaram-lhe mais tarde a história de uma tarde ao sol. Uma tarde sem resquícios da mágoa da solidão que desnuda a noite levada no ventre.De dois corpos que se (con)fundiam sob o signo da infinitude.
Crença maligna envolta no manto da ilusão.
Rompida a com-paixão, resta a perversão de um gesto que aniquile aquele que com o olhar devora.Resta partir no encalço das pegadas dos Outros que sempre se adequarão.Resta a cobardia que se encolhe perante a palavra de ruptura.Resta a fuga idealizada ou a comodidade da permanência.Resta Ser e Ser os outros e Ser como os outros.A merda de uma condenação que a cada bofetada te lembra Inútil.
Estás aí ainda assim?
Não escuto.Mas sinto.
Quero partir.
