Na penumbra, o Enigma. Detém-se à porta do elevador ou detém-no ela. (Curioso, teria apenas um lanço de escadas a cavalgar. O auge da indolência já expectável).
Hospedaria de bom grado a vigília diligente só para escarnecer do primeiro que sei vir a ruir.
Crava as unhas. O sangue flui livre e quando o noto mais tarde vejo manchado um carácter que senão um E, seu parente.
Ele sabe que a partir do momento em que o olho, o desnudo escrupulosamente sedutora até não mais passar senão de um emaranhado de ossos segregados.
Reter-me-ia hora sobre hora a desposá-lo da armadura com que ora irrompe na ofensiva, ora se protege na defensiva, qual Lancelot du Lac sob a égide do Rei Artur.
Não. Prefere-se vestido. Modo terno de se venerar.
Cavaste-me um fosso e logo a seguir outro e depois outro.
Não satisfeito, fizeste da cova trincheira para ratazanas e porto de abrigo para as mais inimagináveis espécies.
No restolho, senti uma que se aproximava e estudava calculista o que lhe estava defronte.
Vi-o, ao olhar estrábico e embriagado pela fetidez das urinas e dejectos ressequidos, ao passo vagaroso e inaudível que cedeu lugar à posição de ataque.
À primeira mordedura estremeço de prazer. Sensação orgásmica a percorrer cada filamento do fio condutor principal.
Jazido na vala, o meu corpo, o meu corpo não mais é do que espectro ou substância orgânica disforme. E eu, eu uivo de prazer.
(Comparado com o que me tinhas feito aquilo era Nada)
Volvida a expectativa inicial que fez de mim artefacto sexual às mãos da mestre máquina especializada, reconverto-me e subo a parada.
Aliada às ratazanas, lanço-me de encontro a qualquer matéria que se aparente suficientemente demolidora.
Assistia àquilo por que havia desesperadamente esperado quando adormecia e acordava. Àquilo que desejara secretamente desde o primeiro semi-abrir de olho: À Morte.
Finalmente conhecia a força imaterial e inexorável que destrava a jornada. Conhecia-a, à Felicidade.
Helena
