"Fizera da vida um camisola-de-forças em que se lhe tornava impossível mover-se, atado pelas correias do desgosto de si próprio e do isolamento que o impregnava de uma amarga tristeza sem manhãs. Um relógio qualquer bateu a meia das quatro horas: se conduzisse suficientemente depressa chegaria a tempo para a saída da escola, acto libertador por excelência, vitória do riso sobre a estupidez cansada, algo nele, vindo do mais remoto da memória, teimava em garantir-lhe, contrariando o terrível peso oficial das tabuadas, que existe um quadrado preto em qualquer parte, quem sabe se no sotão do sotão ou na cave da cave, a afirmar que dois e dois não são quatro"Podre de alma
Helena.
