18.10.09

18,10

Ao centro, um lago.
Ou cortesia da chuva outonal em pedra caduca, obstinado tempo que nela anteviu lugar ideal para cicatriz indiscreta.
Havia nele também procurado ninho mas abalou antes do picado fatal diante covil onde não podia pernoitar.
Lis sabia-o. Sabia-o porque Lótus lhe dissera um dia que o tempo fere só quando lembrado e que o vestígio que finge esquecer, cedo ou tarde leva-o o vento.

Ao centro, um lago.
Ou oásis mimado pela erva mãe que em volta dele faz lembrar os quadros de luz que Lótus com palavras pintou. Neles, a frieza e a tontice paredes meias com a miscelânea de romeiros e forasteiros ou as imagens pictóricas de um vitoriano sumptuoso.

Ao centro, um lago.
Ou praça em fim de tarde onde as vozes se (con)fundem e apetece penetrar nas águas calmas e opacas que adormecem além.
Porque assim quer Lis, quando a mente vagueia, errante e despreocupada.
Porque assim mostrou Lótus, quando disse que à imaginação não serve a palavra de ordem, que comparada ao caos e ao comum hábito, ela é signo de salvação.

Helena

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