
- Sabes, vou é fazer o que o meu pai aconselhou. Filiar-me num partido, num desses que andam por aí, meter-me na política 'tás a ver? Ele bem diz que é um bom tacho. Na falta de melhor...Percebes a cena?! (o termo usado foi, na verdade, "tachinho", mas deixo essa discussão para outras marés)
Bem, com aquela é que eu não contava! Então eu, do alto da minha mais elegante ingenuidade e fiel devoção, acreditando que o partidarismo materializava uma preferência sustentável, uma empatia plausível ou uma fé imperturbável e, oh diabos!, trata-se afinal de uma estratégia. Transfigurou-se-me o rosto. No espaço de oito segundos e meio devo ter experimentado tantas cores quanto as do fauvismo em tempos de Matisse. Pensei, inicialmente, ter ouvido mal, talvez um qualquer ruído de fonte anónima houvesse interferido na transmissão. Não, a mensagem era mesmo aquela, a que tinha chegado. E eu assim fiquei, incrédula, céptica do que ouvia, visivelmente irritada também. E agora, hmmm... Agora estou só um nadinha mais irritada.
Bem, pelo menos consigo, depois disto, justificar os nada esporádicos acessos de burrice e demais manifestações idiotas dos que dizem fazer política. E ,como se isto não bastasse, os prognósticos para futuras colheitas não são nada favoráveis. Se tramóias como a do tachinho são maliciosamente ensinadas à geração sucedânea, é porque a coisa, afinal, é mais grave do que à primeira vista parece
Alívio: Pior do que aqui, só mesmo numa Madeira ou numa Cuba. Mas mares imensos nos afastam, que isso (ainda) nos valha.
