"Para lá deste conglomerado situava-se uma zona de sombras, na qual talvez se pudesse descobrir uma qualquer outra forma, ou nada mais existisse para além de abismos ainda mais profundos de escuridão.
As ondas quebravam-se, espalhando as águas com suavidade ao longo da praia. Uma a seguir à outra, enrolavam-se e caíam; devido à energia com que o faziam, as gotas eram obrigadas a recuar. As ondas apresentavam uma coloração azul profunda, excepto no que respeitava a um ponto luminoso em forma de diamante situado na crista, que se encrespava de forma semelhante à que acompanha os movimentos dos músculos dos cavalos. As ondas quebravam; recuavam e voltavam a quebrar, emitindo um som semelhante ao que é provocado pelo bater das patas de um animal de grande porte."
As Ondas, de Virginia Woolf (Colecção Mil Folhas, 2002)
