8.5.11


A rosa secreta

Longínqua, tão secreta, inviolada Rosa,
Envolve-me na minha hora das horas; onde aqueles
Que te buscaram no Santo Sepulcro,
Ou no tonel de vinho, moram mais além dos tumultuosos e
Vencidos sonhos; e profundamente
Entre macilentas pálpebras, pesadas de tanto sono
Os homens nomearam a beleza. Tuas grandes folhas ocultam
As antigas barbas, os elmos de ouro e rubi
Dos coroados Reis Magos; e o rei cujos olhos
Viram as Mãos Crucificadas e a Cruz de sabugueiro elevar-se
Em druídicos vapores, extinguindo as tochas;
Até que o inútil clamor despertou e ele morreu; e aquele
Que encontrou Fand caminhando entre flamejante orvalho
Junto à sombria costa onde nunca soprava o vento,
E perdeu mundo e Emer por um beijo;
E aquele que os deuses levou para fora dos seus domínios
E durante cem rubras alvoradas se entregou ao festim e chorou
Os túmulos dos seus mortos;
E o rei sonhador e altivo que mágoa e coroa arremessou,
Convocando bobo e bardo,
Em profundos bosques habitava com os errantes filhos do vinho;
E aquele que vendeu campos, casa e bens,
E durante inumeráveis anos por terra e mar procurou,
Encontrou enfim, entre riso e lágrimas,
Essa mulher tão radiante em sua beleza
Que à meia-noite os homens trabalhavam o cereal
Por um sorriso, um brevíssimo sorriso roubado. Eu também aguardo
Essa hora, a hora das tempestades do teu ódio, do teu amor.
Quando se soltarão do céu as estrelas
Como chispas de uma forja, quando morrerão?
É chegada a tua hora, teus grandes ventos acordam
Longínqua, secretíssima, inviolada Rosa?

W.B. Yeats, Uma Antologia - Selecção e tradução de José Agostinho Baptista
(Assírio & Alvim, 2010)

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