27.7.12


“(...) Neste capítulo, salvação significa apenas a preservação da nossa identidade própria e única, no seio de um mundo que tende para uniformizar tudo e todos. É aqui que reside a raiz do medo. Rimbaud sublinhou o facto de querer a liberdade na salvação. Mas só há salvação se houver rendição incondicional desta liberdade ilusória. A liberdade que ele exigia era a do seu ego poder manifestar-se sem restrições. Ora isso não é liberdade. Debaixo desta ilusão, se se viver o tempo suficiente, é perfeitamente possível dar livre curso a todas as facetas do nosso ser e, mesmo assim, continuar a encontrar razão de queixa, ou seja, fundamento para a revolta. É um tipo de liberdade que nos dá o direito de objectar e, se necessário, de nos separarmos dos outros. Não leva em linha de conta as diferenças dos outros, mas apenas as nossas. Essa liberdade nunca nos ajudará a encontrar o nosso elo, a nossa comunhão com a humanidade no seu conjunto. Fica-se separado para sempre, isolado para sempre."

Henry Miller, O Tempo dos Assassinos
(Hiena Editora, 1985)

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