"Eu percorria lentamente esse extraordinário jardim de flores humanas, pensando que uma cidade, tal como uma pessoa, reúne as suas predisposições, os seus apetites e os seus temores.
Cresce para a maturidade, produz os seus profetas, declina na senilidade, na velhice ou na solidão, que é ainda a pior de todas as coisas. Inconscientes de que a cidade está moribunda, os vivos continuam a sentar-se nas ruas, como cariátides sustentando a noite, com as dores do futuro pintadas nas pálpebras; observando insones os caçadores de imortalidade, através de toda a fatídica extensão do tempo".
Justine, de Lawrence Durrell (Colecção Revista Sábado, 2009)
