20.2.10


Como dádiva que diante de ti se estenderia quando surpreendesse distraído o olhar e em gestação a palavra. Como dádiva que jaz à distância de um gesto fácil. Como dádiva que se reconhece pioneira em semelhante esplendor e encanto.
Dádiva insatisfeita e faminta. Aproxima-te, sacia seus desejos, ensina-lhe que por ser dádiva deve escutar a voz da profecia ou rumores de gente dissidente, não partir em falsa vantagem porque para tramóia há número que baste.
Por que te demoras? Por que se mantém irremediavelmente ímpar, seja no abraço da névoa glacial que fere e deixa a pele rosa-defunto, seja entre o calor dissipado que tolda a visão e antecipa a vigília, seja sob o ar carregado que ora morno ora escaldado lembra a cada noite estar assim afinal condenado?
A dádiva espera-te. Por agora.

Helena

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