16.5.11

"Se soubesse com que força uma alma solitária e que ninguém estima se lança num verdadeiro afecto! Amo-a, desconhecida, e esta estranha coisa não é mais do que o efeito natural de uma vida sempre vazia e infeliz... Sou como um prisioneiro que, no fundo do cárcere, ouve ao longe uma deliciosa voz de mulher... Amo-a de mais sem nunca a ter visto. Há certas frases nas suas cartas que fazem palpitar o meu coração, e se soubesse com quanto ardor me precipito para o que durante tanto tempo desejei, de quanta dedicação me sinto capaz! Que felicidade seria para mim subordinar a minha vida a um único dia! Tudo o que a mulher sonha de mais delicado e de mais romanesco encontra no meu coração, não um eco, mas uma inacreditável simultaneidade de pensamento. Perdoe-me o orgulho da miséria e a ingenuidade do sofrimento."

Carta de Balzac a Eva Hanska (1832)

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