29.7.11

"A obra de arte nasce da renúncia da inteligência a raciocinar o concreto. Nasce do triunfo do carnal. É o pensamento lúcido que a provoca, mas nesse mesmo acto o pensamento renuncia a si próprio. Não cederá à tentação de acrescentar à descrição um sentido mais profundo, que sabe ilegítimo. A obra de arte encarna um drama de inteligência, mas só indirectamente o comprova. A obra absurda exige um artista consciente desses limites, e uma arte em que o concreto não signifique nada mais do que ele próprio. Não pode ser o fim, o sentido e a consolação de uma vida. Criar ou não criar não muda coisa nenhuma."

O Mito de Sísifo
, de Albert Camus
(Editora Livros do Brasil, 2007)

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