8.3.12

Noite Alada

Noite alada, vinda de longe e agora
para sempre aberta
sobre greda e cal.
Seixos rolando para o abismo.
Neve. E do branco outras coisas ainda.

Invisível
o que parecia castanho,
da cor dos pensamentos e afogado
na voragem das palavras.

Há cal e greda.
E seixos.
Neve. E do branco outras coisas ainda.

Tu, tu próprio:
acamado no olho estranho que abarca
tudo isto.

Paul Celan, Sete Rosas Mais Tarde: Antologia Poética 
(Cotovia, 1993)

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