voam, passando
por elevações negras
de pedras sacrificiais,
a melancolia infinitamente presa à terra
nas
galerias de transporte,
escribas alados extasiados em
declives de nostalgia,
futuros achados, argênteos,
na
cabine craniana,
túneis de visibilidade abertos
a sopro na névoa da linguagem,
flores auto-inflamáveis
em todos os cabos,
no grande aro da jante
sem rodagem a tua
cúbica sombra,
Saturno.
Paul Celan, Sete Rosas Mais Tarde: Antologia Poética
(Cotovia, 1993)
