11.3.12

SOB A MARÉ
voam, passando
por elevações negras
de pedras sacrificiais,

a melancolia infinitamente presa à terra
nas
galerias de transporte,

escribas alados extasiados em
declives de nostalgia,

futuros achados, argênteos,
na
cabine craniana,

túneis de visibilidade abertos
a sopro na névoa da linguagem,

flores auto-inflamáveis
em todos os cabos,

no grande aro da jante
sem rodagem a tua
cúbica sombra,
Saturno.

Paul Celan, Sete Rosas Mais Tarde: Antologia Poética 
(Cotovia, 1993)

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