"Nessa região havia ainda uma quantidade de pequenos animais de corpo de algodão em rama. A gente pisa-os e eles voltam a ficar inteiros, mas um osso situado quase a um terço da espinha (a contar da cauda), se for tocado, esse osso não muito grande, uma vez esmagado, o animal cai como um fardo, e quando se abre o tal osso encontra-se apenas uma pasta, nada de especial.
Outro animal com uma espinha de catafalco, crucificada de amarelo, e maior que um boi. Se nos aproximarmos dele, atira-nos com uma destas rajadas de cascos, um destes coices, enfrentando-nos de todos os lados, rodando sobre os quartos traseiros como sobre um parafuso. Uma vez posto o inimigo fora de combate, mas não antes, pois ele, se preciso, ficaria assim quarenta e oito horas, retoma o seu andar de autómato, um andamento de enterro de primeira classe. É tão nítida essa impressão que, quando os vemos em grupo, o pai catafalco e os filhos catafalcos, enternecemo-nos perante essa aparente novidade da morte, levando com ela famílias inteiras."
Henri Michaux, As Minhas Propriedades
(Fenda, 1998)
